Trabalhando fonemas

Durante o processo de alfabetização alguns alunos apresentam trocas específicas de letras que parecem não ter relação nenhuma entre si

Fonemas

É comum ficarmos em dúvida diante da grafia de novas palavras ou daquelas que não utilizamos com frequência. Geralmente a nossa indecisão ocorre frente aos sons que têm mais de uma representação gráfica, como por exemplo: “ch” e “x”, “s” e “z”, “ss” e “ç”, “g” e “j”.

Só que alguns alunos também trocam letras que têm apenas uma representação gráfica, como “p” e “b”, “t” e “d”, “f” e “v”, “c” e “g”. Contudo, uma letra muda completamente o significado da palavra. Observe: pato/bato; faca/vaca; chato/jato etc.

Pares mínimos

Em fonologia, “par mínimo” são duas palavras que se diferenciam apenas por um fonema. Nos casos que veremos a seguir essa distinção ocorre somente pela vibração das pregas vocais. Logo, também dizemos que esses pares de sons têm o mesmo modo e ponto articulatório. Por esse motivo as crianças não têm nenhuma pista visual de suas diferenças.

Tente produzir esses sons (sem colocar vogal):

vvvvvvvvvvv… e ffffffffffffff

Percebeu como a posição dos lábios, da língua e dos dentes foi exatamente a mesma? A única coisa que muda é a vibração das pregas vocais ao emitir o /v/. Por isso, chamamos de sonoros os fonemas produzidos com a vibração das pregas vocais e de surdos os demais.

Pistas para discriminar os pares mínimos /p/-/b/ e /t/-/d: ao articular os fonemas /p/ e o /t/ isoladamente, pode-se notar uma maior saída de ar pela boca, diferentemente do que ocorre durante a emissão dos seus respectivos pares sonoros /b/ e /d/. Para sua turminha perceber isso, entregue um pequeno pedaço de papel (com 8 cm por 8 cm, por exemplo) para cada aluno e peça que o segurem em frente à boca, enquanto fazem o som de cada fonema acima.

Como o papel vai balançar quando disserem /p/ e /t, ao compreender que é possível “testar” antes de optar por uma das letras, a criançada vai parar para refletir quando tiver alguma dúvida. No entanto, tome cuidado para que não emitam nenhum dos fonemas associado a qualquer vogal, pois o som deles é seco e único (plosivo).

Pistas para discriminar os pares mínimos /f/-/v, /j /-/z / e /s/-/z/: na produção dos fonemas /v, /z/ e /z/, nossas pregas vocais vibram. Portanto, solicite aos alunos que produzam seus sons prolongando-os (por exemplo, vvvvvvvvv…), mas já colocando a mão na garganta para sentir o “motorzinho ligado”. Em seguida, explique que, quando ficar em dúvida sobre qual letra usar, basta lançar mão dessa estratégia!

Sugestões de exercícios para sala de aula

Selecione o par que será trabalhado (/f/- /v/ e /j/-/z / são mais fáceis para começar). Depois, escolha um dos dois fonemas (por exemplo, /v/). Em seguida, realize cada uma das atividades sugeridas com um dos fonemas do par e posteriormente com o outro (no caso do /v/, o próximo é o /f/).

1. Atividade oral: solicite que cada aluno diga uma palavra que se inicie com o som trabalhado, já explorando as pistas táteis e auditivas (sentindo e mostrando, por exemplo, o “motorzinho” ligado). Registre tudo na lousa.

2. Escreva palavras que se iniciam com a letra trabalhada: então, peça aos alunos que as liguem às figuras que as representam.

3. Faça um ditado de palavras: mas antes, explique aos alunos que todas elas se iniciaram com o mesmo som.

4. Peça para completarem palavras com a letra inicial: para tanto terão que abusar das pistas táteis. No exemplo “__ ACA”, eles terão que prestar atenção se o motorzinho está ligado ou não, quando se pronuncia “vaca” ou “faca”.

5. Proponha atividades de recorte e colagem de palavras: desde que elas se iniciem com o grafema estudado e, então, socialize os achados com a turma toda.

6. Jogue bingo: confeccione cartelas com palavras que se iniciem com o grafema trabalhado. Depois, é só distribuí-las entre os alunos e, logo após, fazer um ditado para que eles as marquem.

7. Brinque de “STOP”: em grupo ou individualmente, os alunos deverão escrever um nome, uma cor, uma cidade, um animal, uma fruta, um objeto, entre outras palavras que se iniciem com o grafema trabalhado. Depois, trabalhe o fonema nas demais posições da palavra.

Adaptado de Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 146

Da Redação | Foto Carlos Ricon | Adaptação web Isis Fonseca