Atividades que estimulam o desenvolvimento de crianças com autismo

Confira como criar na escola um ambiente que estimule a todos, inclusive os alunos que têm autismo

Foto Carlos Rincon

Para Eugênio Cunha, doutor em educação e autor dos livros Autismo e Inclusão e Autismo na escola, o aluno aprende e o aluno com transtorno do espectro autista também. “O mito de que há educandos que não aprendem já foi superado, pois a aprendizagem é característica do ser humano, nascemos para aprender. Trata-se de uma expressão imanente da nossa humanidade, que abarca também oaprendente com autismo”, diz ele.

Apesar de a síndrome apresentar níveis diferentes de comprometimentos, Cunha ressalta que todos nós temos caraterísticas afetivas que podem ser exploradas no espaço escolar. Diante disso ele diz que o primeiro passo a ser dado pelo professor será o de conhecer seu aluno e seus afetos. Isso possibilitará a elaboração de atividades e afazeres que ajudarão a canalizar seu interesse. “A partir do princípio afetivo da atividade pedagógica, o professor começará a descobrir os recursos para a superação das dificuldades iniciais. Não se trata de uma regra, mas de um caminho, pois o afeto traz o desejo para os movimentos de ensino e aprendizagem. Quais atividades o aluno gosta de fazer? Como utilizá-las para desenvolver sua aprendizagem? São perguntas que irão ser respondidas nesse percurso”, ressalta.

Outro passo importante, de acordo com Cunha será observar possíveis alergias alimentares, que podem interferir no comportamento. A Lei 12.764/12, que trata do autismo, estabelece que a criança com autismo tem direito a terapia nutricional e a nutrição adequada. Nesse sentido, respeitando as características de cada estudante, seguem algumas sugestões de atividades para todas as crianças da educação infantil:

Pegadas

Objetivos: reconhecimento do pé direito e esquerdo, identificação lateral, trabalhar o equilíbrio, precisão nos passos, coordenação motora global e interação com os demais alunos.

O professor desenha ou cola pegadas no chão com a ajuda dos alunos, que poderão colorir as pegadas. Posteriormente, o educando anda sobre elas, alternando o pé direito e o pé esquerdo. Durante a brincadeira, o professor poderá sugerir outros movimentos. Como alternativa, poder-se utilizar solas de sapatos velhos.

Atividade “Banda Escolar” / Foto Arquivo 2d

Banda escolar

Objetivos: trabalhar a discriminação e percepção auditiva, identificação das ações, localização de sons, orientação espacial, capacidade de atenção e memorização e interação social.

Utilizam-se vários instrumentos musicais (pandeiro, chocalho, triângulo, tambores, flauta etc.). A cada toque de determinado instrumento os alunos brincam com um objeto ou fazem algum movimento. Por exemplo: quando tocar o tambor os alunos brincam com a bola, quando tocar o triângulo fazem movimentos com as mãos.

Amizade do alfabeto

Objetivos: trabalhar a afetividade, socialização, estimular a imaginação, comunicação, expressão e linguagem e desenvolver a coordenação espacial.

Todos sentam, fazendo um círculo. Alguém inicia falando: “Gosto do meu amigo da esquerda com A porque ele é atencioso”. O próximo aluno deverá seguir a sequência, dizendo: “Gosto do meu amigo da esquerda com B porque ele é bondoso”. E assim por diante.

Brincadeira do espião

Objetivos: desenvolver a atenção, observação e detalhamento, estimular a afetividade, socialização e criatividade e expressão corporal e imagem corporal.

Dividir o grupo em duplas. Cada integrante da dupla observará bem a outra pessoa e vice-versa. Os dois viram de costas, e cada um fará uma mudança no visual. Os dois se voltam um de frente para o outro e tentam descobrir o que mudou. Pode-se alternar a brincadeira, fazendo mudanças no ambiente ou na própria disposição dos alunos.

Somando as diferenças

Objetivos: discriminação visual e percepção, desenvolver a linguagem, comunicação, classificação e generalização e trabalhar valores da diversidade para inclusão escolar.

Reunir diversos objetos que sejam opostos. Por exemplo: um bloco pequeno e um grande, um copo alto e outro baixo. Pedir aos participantes para formarem pares com os objetos opostos e depois descreverem os atributos que tornam os objetos opostos, enfatizando as qualidades em suas diferenças.

Guia Prático do Professor – Educação Infantil| Ed. 156